Feijão e algodão são hospedeiros da Soja Louca II

A Embrapa Soja divulgou os primeiros resultados de uma pesquisa com plantas do nematoide Aphelenchoides besseyi, que é o causador da Soja Louca II. A pesquisa revelou que mais duas culturas são hospedeiras como o algodão e o feijão. Os pesquisadores Maurício Meyer, da Embrapa Soja, e Luciany Favoreto, da Empresa de Pesquisa Agrocuária de Minas Gerais (Epamig), avaliaram a hospedabilidade do nematoide e informações de sobre como ele sobrevive no solo de uma safra até a seguinte. Eles ainda tentaram descobrir se há cultivares de soja mais sensíveis ao nematoide.

Durante a avaliação da capacidade do nematoide de se hospedar, foram analisados os cultivos e algodão, feijão, milho, milheto e sorgo, mas apenas algodão e feijão foram confirmados. Segundo Meyer, existem relatos da ocorrência do problema em lavouras de feijão na Costa Rica, por isso os testes foram conduzidos no Brasil. “Inoculamos em feijoeiro, as populações de nematoide oriundas da soja, e confirmamos os mesmos sintomas descritos na Costa Rica, contudo, não existe relato de ocorrência do problema em lavouras de feijão brasileiras”, explicou o pesquisador. Foram avaliadas 22 variedades de feijão para se entender como as diferentes cultivares podem ser sensíveis ao patógeno causador da Soja Louca II

No algodão, as confirmadas de plantas da região de Sapezal (MT), apresentavam sintomas de engrossamento de nós, deformações foliares, diminuição de porte e perda de botões florais, similares aos observados na soja. As plantas de algodão foram analisadas pelos laboratórios das instituições parceiras que também pesquisaram o assunto.

“Apesar de todas hospedarem o nematoide, observamos a existência de variabilidade genética entre as plantas, assim como acontece com a soja”, contou Favoreto.

No caso da soja, das 64 cultivares avaliadas, 62 delas apresentaram maior intensidade de sintomas. “Esses resultados indicam alguma variabilidade genética da soja para resistência a A. besseyi”, afirmou Meyer. A Embrapa vai desenvolver fontes de resistência para desenvolver novas cultivares para combater o problema.

Na soja, o nematoide foi visto pela primeira vez há dez anos no Brasil e pode derrubar a produtividade pela metade. Os sintomas são abortamento das vagens, enrugamento e escurecimento de folhas. Ela é comum em regiões quentes e chuvas como o Mato Grosso, Pará, Tocantins e Maranhão.

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